terça-feira, 1 de agosto de 2017
2042.4
sábado, 7 de julho de 2012
2042.3
2042.2
Na ala leste do muro viu porém uma secção do mural que dizia com uma borboleta: "Eu tenho os sonhos intactos" e despediu todas as discípulas da sua presença e abandonou o muro.
Nisto, passava por uma lixeira onde duas mulheres escavavam, fartas e saudáveis, noutro lugar duas mulheres banhavam-se em notas - mas as notas nada valiam e as mulheres emagreciam.
sexta-feira, 6 de julho de 2012
2042.1
Babalith sentou-se e ouvindo os desabafos do povo reparou como uma ligeireza falsa e podre tomara conta do seu mundo. Uma lhe dizia: "Fulana abandonou-me quando mais precisava, mas é a bondade da vida que retira do nosso caminho os que não pertencem à nossa vitória" e esta foi Babalith trair o mais que pôde, porque quem não é capaz de reconhecer a crueldade menos reconhecerá a verdade, e quem não está com a verdade é infértil e impotente nas suas mentiras. E outra mulher disse: "não existem pessoas certas umas para as outras, mas pessoas imperfeitas que encontram alguém de quem aceitem as imperfeições e de quem as suas imperfeições sejam aceites" e a estas Babalith mutilou para deixar ao circo porque antes eram imbecis, sonolentas e inúteis.
Ao canto um bando de mulheres jogava um horóscopo em que cada uma era uma deusa, e Babalith desejou que fossem ao menos animais.
E na telefonia diziam: "milhares de anos de religião levaram-nos à idade média, 200 anos de ciência levaram-nos à Lua", mas Babalith era demasiado inteligente para ter percebido alguma coisa do que acabara de ouvir.
sábado, 9 de outubro de 2010
VI. A
Babalith não comia nem bebia, mas o astro azul chovia sempre e isso bastava.
Disse-lhe:
"Estas são as regras mais básicas do tonalismo da linguagem. Há também a conhecer que qualquer música se faz com o silêncio, em que os sons são utilizados somente para manipular este silêncio e leva-lo à sublime dança. Assim farás com as tuas palavras, que diga mais o que está entre elas, e o diga de forma concisa e estruturada, do que aquilo que acaba nelas."
Continuo depois:
"Isto sendo sabido, e as matemáticas estudadas, e depois de muitas horas a escutar o mundo com os ouvidos, a pele, os olhos, o olfacto e o gosto, e que o corpo tudo isso imite, abrindo-se do avesso, aprendereis a falar o português enquanto língua do Universo. Letra a letra, palavra a palavra (e esta ainda não é, pois, a dança)."
"Comecemos pelas palavras da letra A. Pois experimentei o som A. A boca abre-se e o ar passa livremente, a língua não se interpõe. O A é pois semelhante às coisas aéreas e à abertura dos céus, e a muitos alívios da alma e do corpo. O peito suspende-se, como se levitasse, e o sangue sobe ao intelecto, à zona cerebral."
"Ora experimentemos a palavra Abade. O B é nos lábios como uma membrana que se rompe, a passagem de uma porta, uma graduação ou uma sublimação, e sendo um som especialmente sentido na zona nasal liga-se muito à sensibilidade do intelecto (o olfacto é um instinto primordial). O D estimula, com a língua batendo no céu da boca e o peito badalando, a zona entre os olhos e a testa, pois a capacidade visionária e a consciência. o E, como em "Abade", é sobretudo manifestado como uma vibração da garganta para o exterior, e a garganta liga-se aqui com a vontade de comunicar, mas também, na sua exteriorização e na vibração das glândulas gustativas, com a fome, não sendo de admirar que a imagem do abade seja aquela de um homem farto."
"Concluímos daqui que o abade é um homem dedicado a governar outros homens, um artista do intelecto e das ciências da consciência. Abade, musicalmente, pode-se traduzir da seguinte forma."
'Imenso céu (A), ao beijo das mulheres (B) um campo aberto (A)
Maçã, o coração uma serpente (D), palavra e corpo intermitente (E).'
"É esta configuração, este conhecimento da sensualidade do espírito e do impulso da tentação, mantida em tensão/relaxamento criativa, que o faz viril. Abade vem de Pai, e era, em todo o caso, o pai espiritual."
"Mas avancemos com outros exemplos, como 'Amar'. O M vibra desde os pés até ao que se parece sentir como uma zona acima da própria cabeça. É uma existência do corpo que se rende e entrega à sensação, é um corpo feito mar. 'A' - 'mar', a abertura do mar, o evanescente da mente aberta solidificando-se em sensação, em paz e sentimento e um prazer intenso só possível a partir dessa paz e desse sentimento. R, como em amar, cela a palavra, ele é como um abraço, é onde a língua retém o fluxo musical."
"Não fugindo muito à primeira exemplificação:
'Imenso céu, rendido no cálice da manhã,
Planície vasta, o fogo do lar e o afã.'"
"Assim se disse amar."
"Ou, se queremos pronunciar a palavra 'Ar':
'Céu imenso, que abraço e nunca venço'"
domingo, 12 de setembro de 2010
V. Processo de Harmonização
"Do Processo de Harmonização, isto há a saber" prosseguiu o astro azul.
Para começar, escrevemos um acorde em estado fundamental e outro em Iª inversão.
{A silhueta das casas alberga o cansaço. A manhã soletra o desejo demorado.}
Colocamos duas cadências, uma primeira, neste exemplo, picarda, e uma segunda, evitada.
{A silhueta das casas habita a insónia. A manhã soletra.}
Depois colocamos o I do primeiro acorde também no segundo acorde.
{A silhueta das casas uiva a insónia. A sombria manhã murmura.}
De seguida, procuramos formar um encadeamento do tipo II.
{O anoitecer uiva a silhueta das casas. A sombra do monte abafa um murmúrio matinal.}
Horned Wolf
sábado, 11 de setembro de 2010
IV. Harmonia das Quatro Vozes
Passemos pois às normas para a harmonia a quatro vozes. Uma a do Leão, outra a do Anjo, uma a do Touro e outra a da Serpente. A do Leão, como a do Anjo, é voz superior, a da Serpente, como do Touro, a outra. A insistência numa só delas provoca um efeito forçado e anormal. Na distribuição das notas pelas quatro vozes resulta um maior equilíbrio se existem intervalos mais breves entre as vozes superiores, não ultrapassando as oito notas.
Exemplo :
"O rugido do deserto (leão) bebe o coração do peregrino (anjo). Este, exausto, enterra-se na luz granulada (leão). Nascem rosas ali, onde o sangue da sua alma cadente suporta a areia (anjo). Depois, a ventania cessa o silêncio das vozes múltiplas (serpente), e constroi, estático, o corpo da morte (touro): uma coluna de fogo (leão), o rodopio luxurioso dos defuntos revoltosos (anjo): nada, mas as cearas (touro)."
Importa conseguir uma consistência vertical, para tal, é possível a supressão da 5ª (ficando subentendida) mas nunca da 3ª (que não deve estar nas vozes superiores), e verificar a existência de 3 fundamentais. Assim:
"A criança, gasta, lança dúvidas ao astro."
Na esfera musical, o astro é a fundamental, as dúvidas a 5ª e a criança a 3ª. Mas a criança é sempre leão. Vamos alterar a sentença de forma a obedecer aos nossos requisitos.
"O camponês, restaurado, sente o corpo percorrer campo, astro e fado."
Ou, sem a 5ª, "O camponês, restaurado, é campo, astro e fado."
A verticalidade denota-se não na sensação da altura ou da vertigem, mas no sentimento unitivo. É necessário ainda duplicar uma das notas. No ponto de repouso fica bem duplicar uma das fundamentais, neste caso, poderíamos usar um amplificador para o astro.
"O camponês, restaurado, sente o astro pelo campo, céu e fado."
Horned Wolf
